• Mayara Nunes

Em Santa Catarina, projeto financiado pelo IISC traz resultados positivos para a Agroecologia

Atualizado: Fev 4

O Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO) desenvolve a cerca de um ano um programa de agroecologia na cidade de Major Gercino (SC). Desde março de 2019, a organização esteve desenvolvendo ações de capacitação e transição agroecológica com famílias agricultoras e atividades de educação na escola Professor Tercílio Bastos, através do projeto Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas em Comunidades Rurais.


Uma das iniciativas dentro do projeto foi a Horta Escolar, que surgiu a partir de uma demanda colocada pelas famílias agricultoras com o objetivo de incluir a juventude local nas atividades de agroecologia e contou com o investimento social do Instituto das Irmãs da Santa Cruz, que tornou possível a realização desta ideia.

Segundo Henrique Martini Romano, técnico de campo e educador do Cepagro, ao longo do ano letivo, foi possível trabalhar o conceito de Agroecologia com os jovens. “Atividades de compostagem, cultivo de cogumelos e o mais importante, trabalhar valores para uma relação de mais respeito e cuidado com a natureza. Além disso, as turmas puderam visitar agricultores orgânicos da região e assim conhecer alternativas de trabalho e renda no campo”, afirma o técnico.


Para a diretora da escola, Fabiane Laurindo Motta, a horta é um laboratório de experiências. Ela avalia que o projeto melhorou a qualidade da alimentação escolar, levando a educação alimentar para fora da escola. “O mais importante é que a gente come o que planta. Estamos muito felizes com esse projeto e desejamos do fundo do coração que ele continue”, disse a diretora.


A fim de fazer uma avaliação do impacto do projeto na cidade, o CEPAGRO realizou ainda em 2019, o seminário Caminhos Agroecológicos: alimentos saudáveis nas escolas e comunidades. O evento reuniu agricultores e estudantes em torno da Agroecologia para discutir as bases do projeto “Horta Escolar” e apresentar novas possibilidades para a educação agroecológica na região.


Estudantes e agricultores compartilharam os avanços obtidos em 2019, sendo um deles o abastecimento da merenda escolar municipal por parte do Grupo Associada da Rede Ecovida, o que também havia sido colocado como uma demanda no último seminário. Embasado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o coordenador do Grupo, Ernande Stolarczk, articulou com a nutricionista da educação municipal, Ana Luiza Zambonato Dorneles, a compra da merenda escolar orgânica. Ana Luiza conta que graças à iniciativa do grupo, há quase 6 meses os 30% da compra vinda da Agricultura Familiar é orgânica e defendeu a importância disso ao lembrar que a ingestão de agrotóxicos pode causar câncer e outras doenças.


As atividades de apoio à estas famílias em 2019 envolveram capacitações para o planejamento de produção, manejo integrado de pragas, implantação de biodigestor e melhoria na comercialização. Esta última se deu através da organização de células de consumo, apresentada pelo agricultor e vice-prefeito, Moacir Batisti. “A gente vem de família que trabalhava na roça antes do tempo do agrotóxico. Quando ele chegou começamos a usar pra ser mais fácil de produzir”, conta Moacir, que hoje agradece o convite feito há mais de 6 anos pela família Stolarczk para a transição agroecológica e apoio do Cepagro nesse processo.


Além dessas famílias, outros agricultores do Grupo Associada se apresentaram durante o evento, como o Emerson Casas Salvador, que cultiva cogumelos e contribuiu com substratos para as atividades de educação. Uma das riquezas do projeto de Iniciativas Sócio-Ambientais e Educativas foi a relação desenvolvida entre estudantes e agricultores. Relação que seguirá fortalecida em 2020, segundo Charles Lamb, “Enquanto Cepagro, seguiremos em 2020 parceiros e fomentadores dessas relações oportunizadas pelo projeto das Irmãs da Santa Cruz”.


Texto: Mayara Nunes

Fonte: Clara Comandolli


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