• Mayara Nunes

IISC e Rede Rua se unem em ação “Meu refúgio contra a COVID-19”

Nesta quinta feira, 22 de maio, o Instituto das Irmãs da Santa Cruz em parceria com a Rede Rua de Comunicação realizaram a ação “Meu refúgio contra a COVID-19”, na Rua Campos Sales, 88, Brás.


A ação se baseia em orientar a população em situação de rua sobre higiene durante a pandemia e a distribuição gratuita de barracas unitárias. A proteção individual, higiene e alimentação são as maiores necessidades emergenciais para garantir a sobrevivência de quem vive nas ruas. A ação é uma resposta ao poder público devido a sua morosidade em apresentar alternativas e medidas de proteção as populações vulneráveis.

Segundo a Irmã Michael Mary Nolan a ação consiste em medidas básicas de prevenção contra a COVID-19, organizadas pela sociedade civil por conta da alta vulnerabilidade da pop rua ao vírus. Para a religiosa as ações seriam muito mais eficazes se pudessem contar com o apoio do poder público. “Quando nós pensamos neste projeto, nós fizemos um pedido a prefeitura que ela liberasse alguns terrenos vazios onde se pudesse instalar banheiros e chuveiros, e, talvez, ainda contar com a presença de agentes de saúde da prefeitura. Um local onde o povo em situação de rua pudesse colocar suas barracas com a distância social necessária e ter um pouco de segurança neste momento tão difícil. Infelizmente até agora, nós não recebemos nenhuma resposta da prefeitura e o frio está chegando”, explica a Irmã.


Devido à ausência de respostas da prefeitura diante da situação precária das pessoas em situação de rua, as duas organizações decidiram antecipar a distribuição das barracas disponibilizadas pelo IISC, a fim de ao menos proteger a população de rua das baixas temperaturas no inverno.


Para o missionário do Verbo Divino e presidente da Associação Rede Rua, Arlindo Pereira Dias, são mais de 30mil pessoas vivendo nas ruas em São Paulo e mais da metade desta população não conta com o auxílio de nenhum abrigo emergencial durante esta fase. “Viver nos albergues e nas intuições seria viver em grande acumulação o que poderia representar um risco ainda maior a vida, foi assim que várias instituições começaram a se organizar primeiro para a emergência; não deixar faltar para a população que está na rua alimentação, serviços de higiene, álcool em gel, roupa no período de inverno e encontrar outras soluções como o diálogo com políticos solidários com a causa da rua para pressionar o poder público a dar respostas mais concretas para essa problemática, como por exemplo, disponibilizar hotéis para que a população não ficasse na rua e pudesse encontrar uma saída com relação a questão da contaminação. A segunda medida é garantir a população quando esta estiver doente, tratamento de saúde e um lugar para a garantia do seu próprio tratamento, a terceira seria possibilitar o cadastramento para receber o Auxílio Emergencial, uma vez que, as condições são tão precárias que as pessoas não tem nem como se cadastrar”, comenta o padre.


Sobre a situação de negligencia o Padre Arlindo ainda comenta. “Nós temos uma sociedade que tem muito discurso da fé, mas que tem pouca prática dessa fé, que a fé verdadeira é aquela que reconhece no outro um irmão, que respeita e cuida do outro como um irmão. Preserva e defende a vida daqueles que estão marginalizados na sociedade”, pontua.


A prefeitura reconhece que há mais de 12 mil pessoas em situação de rua que não possui opção de acolhimento. A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde recomendam o isolamento social para evitar a disseminação do vírus. A ação “Meu refúgio contra a COVID-19”, é mais um serviço de acolhimento da sociedade civil que diariamente colabora com ações humanitárias em favor da valorização da vida dos mais pobres.


Texto| Mayara Nunes

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