• Mayara Nunes

IISC apoia ações do CIMI para os povos indígenas do Mato Grosso



Desde a adoção da constituição de 1988, a vida dos povos indígenas brasileiros vem sofrendo constantes ameaças. Os desafios enfrentados por esses povos são inúmeros, e vão desde a discriminação estrutural até os desdobramentos mais recentes associados às mudanças no cenário político.


De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), 92 indígenas foram assassinados em 2007. Em 2014, esse número passou para 138, sendo o Mato Grosso do Sul o Estado com maior número de mortos.


Na maior parte dos casos, os assassinatos constituem-se como forma de represálias por causa das reocupação de terras ancestrais pelos povos indígenas ante a delonga dos atrasos nos processos de demarcação.


Tendo em vista esse cenário preocupante foi que o Instituto das Irmãs da Santa Cruz - IISC decidiu prestar apoio aos projetos “O Bem Viver dos Povos indígenas de Mato Grosso” e “Apoio aos povos Indígenas Enawenê-Nawê”, dirigidos pelo CIMI, que consistem em um assessoramento amplo para as comunidades indígenas, a partir da presença missionária em suas áreas.


Essas assessorias se dão nos âmbitos da política, educação, território, movimento indígena e saúde.


Para Maria de Lourdes Araújo Duarte, representante do CIMI, o apoio das Irmãs da Santa Cruz foi de fundamental importância para a realização dos projetos.


“Possibilitou a ação missionária do CIMI junto aos povos indígenas e suas comunidades, as igrejas locais, os movimentos sociais, Universidades, Ministério Público Federal; ações junto ao Congresso Nacional, articulação e mobilização do movimento indígena, como o “Acampamento Terra Livre”, que acontece em Abril de cada ano e a realização da Semana dos Povos Indígenas. Além de possibilitar o funcionamento do escritório, a manutenção de veículos e ajuda de custo para missionários e missionárias”, explica.

Maria de Lourdes conta que há diversas dificuldades de acesso à informação qualificada para as comunidades indígenas, e os missionários têm como função prioritária formar e informar esses povos sobre a conjuntura política atual, o contexto sócio-político e consequentemente a política anti-indígena do Estado brasileiro.


“Nosso objetivo é ajudar no fortalecimento do movimento indígena, como na articulação de lideranças para pensar e articular estratégias de atuação local, regional e nacional.


Sendo assim, as reivindicações por políticas públicas, tais como saúde, educação e território vem surtindo efeitos e alcançando resultados positivos na organização e mobilização dos povos e suas comunidades na luta de seus direitos originários já garantidos na Constituição Federal de 1988 e que estão sendo ameaçados”, elucida Maria.


Texto: Mayara Nunes | Revisão editorial: Fabiano Viana





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